Eu sabia que você existia: obra de Felipe Morozini na empena do Minhocão [Foto: Lara Muniz]
“As cidades vivas têm uma estupenda capacidade natural de compreender, comunicar, planejar e inventar o que for necessário para enfrentar as necessidades”

Mais de cinquenta anos se passaram desde que Jane Jacobs escreveu esse parágrafo em seu livro Morte e Vida das Grandes Cidades, em 1961. A visionária que defendia edifícios de usos múltiplos e térreos abertos segue relevante na discussão sobre comunidades promissoras. O que Jacobs chama de cidade viva encontraria espaço para o que nós, meio século e com um mundo de inovação digital ao nosso alcance depois, imaginamos como ponto de encontro

O Esquina convocou um time e tanto para debater o assunto*. São eles: Bárbara Matos, Felipe Rodrigues e Grazzieli Gomes. A mediação coube à jornalista Marianne Wenzel. Listamos a seguir os pontos mais quentes da conversa.

No pontapé inicial, nossa mediadora recordou os marcos de conquista da cidade pela população | Em 2005 aconteceu a primeira VIRADA CULTURAL na cidade de São Paulo | Outro símbolo da ocupação positiva se concretiza em 2014 com a PAULISTA ABERTA | Tempos depois, em 2020, a pandemia deixa claro que precisamos de ESPAÇOS PÚBLICOS DE QUALIDADE

O imbróglio de mais de dez anos do Parque Minhocão foi apresentado por Felipe Rodrigues, codiretor da Associação Parque Minhocão. Ele mencionou as diversas administrações municipais que se envolveram com o assunto, começando por Fernando Haddad (2013-2016), passando por João Dória (2017-2018) e Bruno Covas (2018-2021), com elogios a este último e ao vereador José Police Neto, que realmente encampou o tema e ajudou a desenovelar a causa, provando que A CIDADE NÃO TEM HIERARQUIA | Da gestão atual, vale ressaltar o uso da técnica do URBANISMO TÁTICO, que inclui ações rápidas, reversíveis e de baixo custo, capazes de melhorar a vida dos usuários sem demandar manobras jurídicas ou orçamento elevado.

Além do Minhocão, o Parque do Ibirapuera é outro ponto conhecido da cidade e que recentemente passou por mudanças positivas. Essa nova fase contou com a ajuda do Instituto Semeia, do qual Bárbara é gerente de projetos | O novo contrato tem uma MODELAGEM DE PARCERIA que auxilia gestores públicos a criar uma condição de visitação que FAVORECE O USUÁRIO com garantia de CONSERVAÇÃO DA NATUREZA | Dada a vocação pública e a localização do parque, capazes de atrair grande interesse entre empresas patrocinadoras, o PACOTE DE CONCESSÃO INCLUI PARQUES MENORES DA PERIFERIA para compensar o equilíbrio entre a receita gerada pelo Ibira e outros locais que demandam atenção e investimento, porém têm menos visibilidade.

Para além dos espaços públicos e semipúblicos, a iniciativa privada desponta com gentilezas urbanas, como explica Grazzieli Gomes, sócia-diretora do Aflalo Gasperini Arquitetos | O Plano Diretor de 2014 estimulou a FRUIÇÃO PÚBLICA como forma de integrar empreendimentos particulares à malha urbana e deixá-los mais permeáveis à circulação de pedestres | A experiência individual deixa claro que um TÉRREO ÚTIL, com passagem livre por um miolo de quadra, se revela como espaço muito mais acolhedor e seguro para moradores ou não. 

Você me faz melhor e Eu me vejo em você: obras de Felipe Morozini nas empenas do Minhocão [Foto: Lara Muniz]
O dilema de colocar tudo isso em prática envolve um tema delicado: O QUE FAZER COM AS PESSOAS TIDAS COMO INDESEJADAS | Uma visita dominical ao Minhocão revela que, em cima, os visitantes se divertem, ao passo em que, à sombra do elevado, a disputa por espaço de moradia num teto improvisado segue em tempo integral | A BARREIRA FÍSICA NÃO EXISTE, MAS A SOCIAL, SIM | Há consenso: a solução é complexa e de longo prazo e tem início no momento em que se torne claro que A PREFEITURA PRECISA CONHECER O PERFIL DA SUA POPULAÇÃO DE RUA | Somente dessa maneira será possível planejar ações e abordagens de políticas públicas eficientes, cumprindo um papel que cabe ao Estado. 

Para abreviar o caminho entre ideia e ação, buscamos ainda BONS EXEMPLOS DE OCUPAÇÃO DO ESPAÇO URBANO – seja ele público ou privado – Brasil afora | O Parque Urbano Jaime Lerner, também conhecido como ORLA DO GUAÍBA, em Porto Alegre, foi um dos exemplos citados, acompanhado pelo Complexo Gastronômico MANÉ MERCADO, que ocupa o vão entre dois equipamentos esportivos em Brasília, o Estádio Mané Garrincha e o Ginásio Nilson Nelson | Por fim, exaltamos ainda os resultados iniciais do projeto carioca do Porto Maravilha, que está ampliando o olhar dos moradores e dos turistas para além das belezas naturais da cidade e levando visitantes para os MUSEUS DO RIO

*O Esquina agradece mais uma vez aos debatedores, agora devidamente titulados a seguir: 

Bárbara Matos, advogada e gerente de projetos do Instituto Semeia; Felipe Rodrigues, arquiteto e codiretor da Associação Parque Minhocão; Grazzieli Gomes, arquiteta e sócia-diretora do escritório paulistano Aflalo Gasperini. A mediação coube a Marianne Wenzel, jornalista especializada em arquitetura e urbanismo, enquanto a cobertura ficou a cargo da também jornalista especializada em arquitetura e design Lara Muniz, ambas representantes do Esquina.

Agradecemos também ao Comunitas, parceiro sempre gentil, onde acontecem os debates.

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