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Gestão

Brasil gasta 10,5% do PIB com servidores. É muito?

Michael Longmire / Unsplash
Vidro com moedas
Eloy Oliveira é Diretor do Instituto República (republica.org), fundação que investe na melhoria do Capital Humano no Serviço Público brasileiro. É Mestre em Administração Pública pela Universidade de Columbia (EUA) e bacharel em Direito pela UFMG, com mais de uma década trabalhando dentro e fora da Administração Pública.
http://republica.org
Publicado em 15.01.2019, às 8:01 am

Recentemente o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) publicou estudo sobre o quantitativo de servidores públicos e os gastos com o serviço público no Brasil.
Segundo o Instituto, hoje temos mais de 11milhões e meio de servidores nas três esferas de governo (municipal, estadual e federal), além dos profissionais das empresas estatais, que não foram incluídos no estudo. Ainda conforme o IPEA, houve um crescimento de 83% no quadro do serviço público desde o levantamento feito em 1995. Importante notar que grande parte desse crescimento aconteceu na esfera municipal, especialmente em razão da criação de novos municípios após a Constituição Federal de 1988.

Mas, e quanto aos valores despendidos com os servidores? Segundo o estudo do IPEA, o gasto anual do Brasil com servidores públicos ativos é de R$ 725 bilhões, o equivalente a 10, 5% do PIB. Ou seja, um décimo da riqueza gerada no Brasil durante um ano é utilizada no pagamento da folha do serviço público. Embora seja um número considerável, por si só não diz muito. Alguns países gastam muito mais do que o Brasil. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Dinamarca gasta o equivalente a 16% do seu PIB com a folha de pessoal da máquina pública. A Noruega , por sua vez, gasta 15% e a Finlândia 14%. Lado outro, muitos países gastam menos que o Brasil, a exemplo da Holanda, Luxemburgo e Alemanha, que gastam entre 7% e 9% dos respectivos PIBs com o funcionalismo.

Mas, o que todos esses números efetivamente nos dizem? O “X” da questão não é o alto custo, mas se o dinheiro público traz retorno a população.

Os Dinamarqueses, por exemplo, estão satisfeito em investir 16% do PIB na folha de pessoal, pois tem boa prestação de serviços públicos. Praticamente 100% do sistema de saúde Dinamarquês é público e de qualidade. No caso do Brasil, contudo, aproximadamente 50% do sistema de saúde é privado, razão pela qual boa parte da população brasileira desaprova esse “investimento”.

É preciso atentar-se a uma análise qualitativa e não simplesmente quantitativa dos gastos públicos. Talvez fosse mais importante para o Brasil focar no aumento do investimento público que hoje está em 10% do PIB, enquanto em outros países como China e Japão estão em 40% e 25% respectivamente, mas isso é assunto para outro artigo.

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