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Mobilidade

Pesquisa Origem Destino indica potencial avanço de apps sobre ônibus

Estadão
Ônibus trafega em faixa exclusiva em São Paulo
Mariana Barros é cofundadora do Esquina
Publicado em 12.12.2018, às 1:58 pm

De todos os meios de transporte disponíveis, o ônibus é hoje o que apresenta o pior custo benefício. Com tarifa a 4 reais em São Paulo, imprevisibilidade de horários, itinerários confusos e pouco atraentes, insegurança e desconforto na espera e no interior dos veículos, além da poluição que causam, está cada vez mais difícil defender o sistema atual. A pesquisa Origem Destino divulgada hoje pelo Metrô de São Paulo corrobora a tese de que o ônibus vive uma encruzilhada. Em 2007, ele representava 23,7% das viagens. Em 2017, 20,7%, queda de três pontos percentuais.

Curiosamente a fatia dos aplicativos cresceu um ponto percentual, indo de 0,2% para 1,2%. Como a pesquisa não contabiliza as viagens por aplicativo que começam ou terminam em estações de metrô e trem, pois só o modo principal foi tabulado, pode-se imaginar que o número real de usuários seja bem superior a esse. Há ainda o agravante de os dados terem serem colhidos em 2017, sem captar o aumento deste mercado nos últimos dois anos. Importante dizer que a proporção de automóveis se manteve estável (27,3) e de trem e metrô aumentou (2,1% para 3,1% e de 5,8% par 8,2%, respectivamente).

Assim como os aplicativos, os ônibus são um meio bastante comum de se chegar a estações de trem e metrô ou de sair delas para alcançar o destino final, a chamada última milha. Mas estes itinerários pouco consideram a demanda dos usuários. Já a bordo do aplicativo pode-se ter a certeza de se estar percorrendo o melhor trajeto possível naquele momento, facilidade oferecida pelos sistemas de navegação em tempo real como o Waze.

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Previsibilidade, conforto e preço também fazem a balança pesar a favor dos carros compartilhados. Tanto é que, em várias partes do mundo, serviços como os oferecidos por Uber, 99 e Cabify são acusados de causarem um aumento no número de viagens e consequente piora nos congestionamentos. Em São Paulo, a pesquisa Origem Destino revela um aumento de 9% nas viagens entre 2007 e 2017, totalizando 41,4 milhões de viagens. “Os micro dados ainda vão esmiuçar quais são viagens exclusivas ou de que maneira os modais se integram” afirmou Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de Planejamento, Integração e Viabilidade de Transportes Metropolitanos (GPI), no evento de divulgação dos primeiros resultados do estudo.

Para evitar que a facilidade se converta em mais congestionamentos, é preciso apostar em compartilhamento, com mais passageiros em cada veículo, dividindo os mesmos trajetos. Com isso os aplicativos, ficam cada vez mais parecidos com os… ônibus. Só que menores, mais ágeis, eficientes e baratos.

Na China e nos Estados Unidos, empresas gerenciam frotas de minivans atendendo a usuários sob demanda e substituindo trajetos até então oferecidos por ônibus do sistema público. A questão que se impõe é de que maneira e sob quais regras o setor privado pode prover um serviço historicamente público. A enxurrada de startups de compartilhamento de carros, bicicletas e patinetes mostra o apetite do setor em investir em mobilidade. Se o carro já deixou de ser um veículo individual, será que os ônibus devem deixar de ser exclusivamente públicos? Se a resposta for não, as prefeituras precisam inovar com urgência para tornar os ônibus mais competitivos e atraentes para seus usuários.

 

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