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Mobilidade 07.12.2018 — 11:37 am

Aplicativos viram tema de embate político, debate jurídico e pesquisa

Mariana Barros
Congestionamento no Minhocão, em São Paulo

Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam derrubar as regras que proíbem uso de carros participares para transporte urbano. Eles analisam duas ações contra os serviços por aplicativo, uma em Fortaleza e outra em São Paulo, e que defendem exclusividade para o táxi. Ontem dois ministros votaram, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, manifestando-se a favor dos apps. A decisão final, adiada por um pedido de vistas e ainda sem data para ser retomada, vai impactar toda a jurisprudência relacionada ao assunto.

Na contramão do STF, um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pretende baixar de 100 mil para 8,5 mil o volume de carros acionados por aplicativo disponíveis na cidade. A proposta atinge empresas como 99, Uber e Cabify, milhares de motoristas que prestam serviço por suas plataformas e seus usuários. Em defesa dos projetos, estão os taxistas, que integram o reduto eleitoral dos dois vereadores que assinam a medida, Jorge Felippe (MDB) e Vera Lins (PP).

Na próxima segunda-feira, a 99 divulga um estudo inédito realizado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) sobre os impactos socioeconômicos do serviço na cidade de São Paulo. O evento terá a participação de Eduardo Haddad, economista da Fipe responsável pelo estudo, e de Claudia Viegas, especialista em regulação e diretora da LCA Consultores, além dos porta-vozes da 99 Ana Guerrini, diretora de políticas públicas, e Miguel Jacob, responsável pela área de pesquisas da empresa. É a primeira vez no mundo que uma pesquisa de mobilidade é feita a partir de dados de uma empresa de motorista por aplicativo. O evento é gratuito e realizado em parceria com o Esquina.

Esquina

Convite para evento da próxima segunda-feira

Os números da pesquisa da Fipe revelam que, antes de aderirem ao serviço, 85% dos usuários deslocavam-se em veículos particulares e apenas 15% utilizavam transporte público. A pesquisa mostra ainda que a troca de outros modais pelo carro da 99 causou redução no tempo de deslocamento, beneficiando aqueles que demoravam mais nos trajetos diários. Ao mesmo tempo, não houve impacto negativo para os demais motoristas que circulam pelas vias da cidade, pois o tempo médio de deslocamento destes manteve-se inalterado. Segundo a Fipe, se mais pessoas aderissem ao serviço, a queda no tempo das viagens realizadas na Região Metropolitana de São Paulo poderia chegar a 23%.

Outro ponto importante apresentado no estudo diz respeito aos rendimentos dos motoristas, uma vez que os aplicativos aumentaram o número de empregos ofertados. O salário médio da população que vive na região metropolitana teve aumento de 0,01% devido ao serviço.

A íntegra da pesquisa pode ser acessada neste link.

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