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Espaços Públicos 01.12.2018 — 8:57 am

Em encontro, arquitetos apresentam ideias para mobiliário na Paulista

Centro Ruth Cardoso
Paulo e Nadezhda Mendes da Rocha apresentam projeto de banco para a Paulista

Símbolo da cidade e do crescente uso dos espaços públicos pelas pessoas, a Paulista foi tema de encontro do Esquina Paulista Para Todos, dedicado a debater propostas de mobiliário para a avenida. Quatro escritórios de arquitetura apresentaram suas propostas, entre eles FGMF, Konigsberger Vannucchi, Nitsche Arquitetos e Paulo Mendes da Rocha. O evento contou ainda com a presença do presidente da SP Urbanismo, José Armênio de Brito Cruz.


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Principal arquiteto brasileiro vivo e vencedor do Prêmio Pritzker de 2006, Paulo Mendes da Rocha projetou em parceria com Nadezhda Rocha o Banco Trianon. A peça funciona como uma grande viga, acolhendo 10 assentos ao longo de seis metros. O nome é uma homenagem à um antigo café, situado no Masp: “Como um grande belvedere, era um lugar de ver a cidade”. Com vista tanto para a avenida quanto para a calçada, o mobiliário é um convite à pausa e observação.

Paulo Mendes destacou que a Paulista está muito bem consolidada junto às edificações: “Ela é magnífica e está feita como avenida”, diz. Para o arquiteto, que defende sua permanência como uso para carros, não falta nada à via, a não ser aquilo muito antigo e tradicional: “Na roça, há muito tempo, punham cadeiras na calçada para cumprimentar quem passa. Um lugar para sentar falta. Portanto, banco é muito bom”, afirma.

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Gianfranco Vannucchi, do Konigsberger Vannucchi, e Maurício Alito, da EKF, apresentam projeto de banco

 

 

 

 

 

Autor do projeto do novo Sesc Paulista, o escritório Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados se uniu ao EKF Arquitetura de Exteriores para repensar a circulação de pessoas na avenida. Segundo os profissionais, faltam na via equipamentos adequados para o descanso, fazendo das calçadas espaços de passagem e não de permanência. “A avenida tem muitos bancos, mas aqueles de dinheiro”, brincou Gianfranco Vannucchi. A proposta da dupla é justamente a instalação de novos assentos, usando as já existentes jardineiras como apoio. “Pensamos em como trazer conforto às pessoas sem acrescentar um novo elemento e outra interferência visual”, explica Mauricio Alito.

Seriam ao todo 1120 assentos, equipadas com iluminação e elementos multimídia, como entradas para USB, wifi e um banco de dados, que coletaria informações como tempo de permanência e trajeto dos usuários. O desenho dos bancos foi feito de tal forma a permitir alguns vazios entre as jardineiras, garantindo os mais variados usos de convívio. “Queríamos fazer um equipamento para que outras organizações pudessem utilizar o mobiliário”, propõe Mauricio.

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Rodrigo Marcondes Ferraz e Gabriel Mota, do FGMF, apresentam estrutura com Roni Hirsh, do Erê Lab

A versatilidade também guiou a proposta do escritório FGMF, realizada em conjunto com o Erê Lab. O objetivo foi criar um mobiliário capaz de abrigar as diferentes atividades realizadas na Paulista. “Propomos criar territórios definidos a partir dos usos das pessoas”, explicam. Foi pensada então uma estrutura leve e móvel, em metal, que pudesse se acoplar aos mais variados elementos, como redes, bancos, mesas, coberturas com placas fotovoltaicas e equipamentos tecnológicos, tornando-se uma espécie de hub.

“A Paulista possui múltiplas tribos. Queremos criar espaços de convivência através das semelhanças entre elas”, completam. Para garantir a flexibilidade, duas tipologias de estruturas foram desenhadas para serem acopladas ou organizadas em diferentes arranjos e escalas.Entre as possibilidades de uso estão locais de encontro, bancas de flores e até mesmo centros de atendimento para turistas.

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Pedro e Lua Nitsche criaram fontes que saem do piso da avenida


O escritório Nitsche Arquitetos viu no próprio asfalto da Paulista uma possibilidade de uso favorável ao pedestre. “Quando você tira o automóvel, a rua é o melhor espaço público”, diz Lua Nitsche. Os arquitetos apontaram, porém, que as vias podem se tornar áridas e inóspitas, ainda mais em dias de extremo calor. Reavaliando como a própria cidade se relaciona precariamente com sua malha hídrica, a proposta foi aproximar os transeuntes com a água ao criar fontes de uso público que saíssem do próprio piso. “A Paulista não está próxima de nascentes, então criaríamos um contrassenso em relação à água”, explicam.

Os equipamentos seriam instalados nos sete cruzamentos com Marcação de área de conflito, faixas amarelas no piso que sinalizam a proibição de parada ou estacionamento de veículos. Os arquitetos contaram com a assessoria da Petro Fontes para desenvolver a fundo o projeto, que inclui espaços de reservatório, filtragem de água e iluminação. “São espaços de convívio e brincadeira, lúdicos e para a cidade inteira”, dizem. “Nosso projeto é uma homenagem à rua”, completa Pedro Nitsche.

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O presidente da SP Urbanismo José Armênio de Brito Cruz

 

José Armênio de Brito Cruz, presidente da SP Urbanismo, pontuou que as propostas apresentadas podem muito bem ser utilizadas em conjunto na avenida, complementando usos, e que o Festival de Ideias é um bom exemplo para se pensar iniciativas em conjunto. “A comunidade de alguma forma deve se reunir para encontrar soluções”, diz. Segundo o profissional, os principais desafios do poder público são o de fazer as coisas acontecerem: “o Brasil ainda não cumpriu sequer a agenda do séc. XIX. Nossa demanda urbana só cresceu e o país nunca pensou em um planejamento para essas populações”.

O urbanista citou como exemplo a questão das calçadas, ainda um problema na cidade. Apesar de apenas 16% serem de responsabilidade da prefeitura, é nelas que passam 80% dos fluxos de pessoas. Acidentes e quedas nesses espaços geram anualmente um prejuízo de 35 milhões ao ano, quantia que poderia ser usada para reconstruir passeios. José ainda citou a urgência de se mudar regulamentações,  muitas vezes burocráticas e demoradas. “ O momento que estamos agora é de trazer a democracia para o território, fazer as coisas de verdade”, conclui.

O Paulista Para Todos é uma parceria do Esquina com o escritório de advocacia Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados, sediado na avenida, e que prevê uma série de ações endereçadas à via mais querida da capital, como o festival, série de passeios e um mapa ilustrado da via, com suas principais atrações.

Presente no evento e um dos jurados do Festival de Ideias, o advogado sócio do escritório Mattos Filho, Renato Schermann Ximenes de Melo, destacou o privilégio de termos um local tão diverso quanto a avenida. “São Paulo não proporciona muito convívio, são poucas as oportunidades de estar na cidade. E a Paulista é tudo, é o nosso marco fantástico”, afirma. “Queremos promover encontros como esse, de arquitetos e das pessoas que andam pela Paulista. É possível”, concluiu.

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