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Planejamento 27.07.2018 — 7:40 am

Se PIU Centro aproveitar o que já existe, larga na frente

DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
Movimentação no Largo da Misericórdia no centro da cidade de Sao Paulo, alvo do PIU Setor Central. Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
Mariana Barros é cofundadora do Esquina

O novo plano se apresenta como um esforço de aumentar a população residente dos bairros no miolo da cidade. Dois pontos importantes, e que realmente podem sinalizar a transformação, aparecem no texto da minuta: retrofit e locação social

Mariana Barros*, O Estado de S.Paulo

O ano é 2018, mas poderia ser 2011, quando o então prefeito Gilberto Kassab (hoje PSD) anunciou o lançamento do programa Nova Luz com a promessa de transformar o centro da capital paulista. O projeto era baseado em concessão urbanística, pela qual a empresa privada vencedora teria liberdade de fazer até mesmo desapropriações e subir uma infinidade de novas construções, como de edifícios comerciais e moradia para a baixa renda. Mas a dificuldade, incluindo jurídica, de tirar o plano do papel foi esfriando os ânimos de quem apostou no Nova Luz como transformador do centro.

Passados sete anos e mais três prefeitos pela mesma cadeira, Bruno Covas (PSDB) anuncia uma proposta de PIU Setor Central. No lugar da concessão urbanística, um instrumento criado na gestão Fernando Haddad (PT) que amplia as possibilidades de parcerias público-privadas para áreas delimitadas.

O novo plano se apresenta como um esforço de aumentar a população residente dos bairros no miolo da cidade. Dois pontos importantes, e que realmente podem sinalizar a transformação, aparecem no texto da minuta: retrofit e locação social.

Retrofit é aquela reforma capaz de mudar até mesmo a finalidade de um edifício. Mas, além de cara, enfrenta tantos entraves burocráticos, especialmente em imóveis antigos que não atendem às atuais exigências de segurança e acessibilidade.

A locação social muda a lógica da habitação popular: ela não precisa ser propriedade do morador, basta que ofereça estabilidade e boas condições. O desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, há três meses, evidenciou a urgência de se articular as duas frentes, além de criar melhores usos para imóveis do poder público, outro ponto contemplado pelo texto.

O projeto de Kassab era baseado em novas construções. Se o atual souber reaproveitar e potencializar o que já existe, larga na frente. O desenvolvimento urbano de hoje depende de sustentabilidade e eficiência, inclusive econômicas, para se viabilizar.

*É cofundadora do Projeto Esquina

Texto publicado originalmente na edição de 27 de julho de O Estado de S. Paulo

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