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Economia Urbana 24.11.2017 — 9:17 am

Vendas online fazem lojas fecharem e impõem desafio às ruas comerciais

A parada de Ação de Graças da Macy's, rede tradicional de comércio dos EUA que vive seu pior momento

Dia de Black Friday e as empresas que se preparam para bater os recordes de vendas do ano não estão nas ruas, e sim na internet. Nos EUA, berço dos shoppings centers, dez grandes redes já pediram falência apenas neste ano segundo a Standard & Poor’s — a próxima deve ser a Sears, fundada em 1886.

Tradicionais lojas de departamentos como Nordstrom, Kohl’s e Macy’s enfrentam a pior baixa de sua história. A Macy’s, especialmente, vive uma encruzilhada curiosa: os prédios que a empresa detém valem mais do que seu valor de mercado, segundo levantamento do New York Times. Com 600 endereços nos Estados Unidos, a rede tem 16 bilhões de dólares em imóveis, enquanto seu valor de mercado é de 6,4 bilhões de dólares.

Essas lojas são vítimas do processo de “Amazonização” do comércio mundial, com a gigante online Amazon ditando as regras não apenas na internet, mas nas ruas e nos shoppings centers. O crescimento da Amazon neste ano é quatro vezes maior do que a soma do valor das 10 maiores redes de lojas de shopping americanas. Seu valor de mercado é estimado em 477 bilhões de dólares.

Deste panorama, surge a questão: o que fazer com os imóveis que deixaram de ser pontos comerciais? Como incentivar que as ruas se tornem mais atraentes para o pedestre, quando o comércio enfrenta tamanha dificuldade em manter presença física? Tanto os shoppings quanto os pequenos pontos de rua buscam alternativas para fazer frente à redução de frequentadores que ameaça a sobrevivência de seus negócios. A queda de frequentadores a lojas chega a 10% nos últimos doze meses nos Estados Unidos, onde a empresa Thasos fez uma pesquisa usando dados de geolocalização de celulares.

Uma das lojas que a Macy’s fechou em Alexandria, no estado da Virgínia, vai virar abrigo temporário para moradores de rua. Outras estão sendo compradas por grupos interessados em criar novos negócios, como academias, cafés e coworkings. Mas até que ponto uma cidade pode absorver negócios desse tipo?

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