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Economia Urbana 17.11.2017 — 7:56 am

Criar emprego na periferia não depende de empresas que se instalem por lá

José Police Neto é vereador em São Paulo

Há muito tempo se busca trazer mais equilíbrio às desigualdades regionais da cidade. Um dos caminhos é criar incentivos fiscais para que empresas se estabeleçam nas regiões periféricas, oferecendo empregos onde já há muita gente morando. O prefeito João Doria propôs recentemente um pacote de incentivos fiscais para criar os polos de desenvolvimento Noroeste e Fernão Dias, ambos na zona norte. Mais de 90% da população economicamente ativa desta região trabalha fora do distrito onde mora. O pacote foi aprovado pela Câmara e me motivou a apresentar uma emenda à proposta de atualização das regras do ISS. A ideia é estender as políticas de incentivo para empresas que contratem funcionários que trabalhem de casa, remotamente, e morem nestas regiões.

Se o objetivo do incentivo é gerar vagas de emprego, então o importante é a vaga, não a presença física da empresa no local. A quantidade de empregos gerados ou convertidos para homework é crescente, em especial em segmentos que mais tem crescido em volume de contratações como call centers, tecnologia e
economia criativa. É bem significativo que, embora o número de vagas ofertadas aumente, a vacância de imóveis destinados a esses setores também cresça, chegando perto de 50% no Eixo Sudoeste, onde essas empresas costumam se estabelecer.

Vários dos distritos com maior densidade demográfica de São Paulo ficam nos extremos da periferia, como Cidade Ademar, Guaianases e Cidade Tiradentes. Isso significa um enorme esforço de cidadãos e poder público de deslocar grandes volumes de pessoas até os locais onde há oferta de emprego. O custo desta operação é altíssimo. Só com subsídio da tarifa de transporte, o município já gastou mais de R$ 2,2 bilhões neste ano (dados de 19/10).

Por outro lado, as políticas de incentivo para geração de empregos na periferia não tiveram tanta adesão quanto se gostaria. Apesar dos esforços em gerar políticas de incentivo, poucas empresas se interessaram pelo modelo, demonstrando que não se encontrou ainda um ponto de equilíbrio.

Neste cenário, insistir na visão da instalação física das empresas nas regiões periféricas é continuar a enxergar a cidade com o olhar das décadas de 60 e 70, quando a política de geração de emprego era focada em criar “distritos industriais” com lotes subsidiados. Esse tempo ficou para trás. Hoje, incentivar a contratação nestas regiões através de teletrabalho reduz custos para empregado e empregador, diminui a necessidade de deslocamentos, amplia a oferta de mão de obra e ainda estimula economias locais para que os bairros-dormitório possam se tornar ativos ao longo de todo o dia.

José Police Neto é vereador

 

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