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Mobilidade 01.11.2017 — 6:00 am

Total de mortes no trânsito por dia é o mesmo da queda de um avião

Hannah Arcuschin Machado é coordenadora de Desenho Urbano e Mobilidade da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito e integrante da atual gestão do IAB-SP.

Por ano, 1,24 milhão de pessoas morrem vítimas do trânsito no mundo, das quais 90% estão nos países em desenvolvimento. No Brasil, este número é de 44 mil pessoas ao ano – 120 pessoas ao dia, o equivalente a uma queda de avião (se considerarmos, por exemplo, um Airbus A318). Apenas na cidade de São Paulo, 854 pessoas morreram no trânsito e 19.235 ficaram feridas no ano passado. Estes números, inaceitáveis, representam um problema de saúde pública – uma epidemia cujo tratamento e prevenção são bem conhecidos.

A forma como as cidades foram e são construídas, bem como as más escolhas em políticas de mobilidade urbana, são algumas das principais responsáveis por esse cenário trágico. As diversas maneiras pelas quais se orquestram a diversidade do uso do solo, a densidade populacional e a conectividades das vias são elementos-chave na definição de maior ou menor segurança viária nas cidades.

A proximidade da moradia aos locais de emprego, educação, lazer, saúde (aquilo que os urbanistas chamam de “uso misto”), por exemplo, mitiga a necessidade de viagens em veículos, reduzindo a exposição e evitando acidentes. Ao mesmo tempo, a diversidade de usos somada à densidade populacional torna o caminho interessante e incentiva deslocamentos a pé e de bicicleta.

Por sua vez, a conectividade da rede viária – o que é potencializado por quadras pequenas – diminuem o risco de acidentes no trânsito ao estimular as baixas velocidades de veículos. Por exemplo, quadras entre 75 e 150 metros de comprimento impedem que um veículo atinja uma alta velocidade, além de garantir travessias para pedestres mais próximas.

Além destes aspectos estruturais, que devem estar presentes em planos diretores e leis de parcelamento, uso e ocupação do solo (conhecidas como leis de zoneamento), há a dimensão do desenho urbano e do ambiente construído. Os projetos executados no espaço público precisam levar em consideração a segurança viária, a acessibilidade e o conforto de todos os usuários da via. Mas, acima de tudo, é necessário inverter a lógica de prioridade dos modos de deslocamento e colocar os pedestres no topo da pirâmide, seguidos de ciclistas e usuários do transporte coletivo, comerciantes de rua e entregadores e, ao final, pessoas em veículos motorizados individuais.


Hannah Arcuschin Machado
é Coordenadora de Desenho Urbano e Mobilid
ade da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito. É formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAUUSP, mestre em Gestão e Políticas Públicas pela FGV e integrante da atual gestão do IAB-SP.


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